Entre Dever e Desigualdade: O Silêncio de um Genro

Um jovem, falando em anonimato, desabafou comigo sobre as dificuldades que enfrentou na convivência com a família de sua esposa. Ele contou que acabou se afastando da sogra e dos demais familiares da esposa por sentir que não era valorizado nem considerado por eles.


Sempre que havia festas ou eventos familiares, ele era convocado a ir à casa da sogra com um ou dois dias de antecedência para ajudar nos trabalhos domésticos. Isso porque, segundo ele, era visto como alguém de menor condição financeira, especialmente em comparação ao marido da irmã mais nova de sua esposa.


Enquanto ele se envolvia nas tarefas mais pesadas — como limpar o quintal, preparar os animais e organizar o espaço — o primo, com melhores condições financeiras, chegava apenas no dia do evento e ainda era recebido com destaque: tinha lugar reservado à mesa, era servido com prioridade e não precisava se envolver com nenhum trabalho prévio.


O jovem contou que, mesmo depois de ter trabalhado tanto, ainda era ele quem tinha que servir bebidas e comidas ao primo, que por sua vez mal o cumprimentava. Quando se cruzavam, as únicas palavras do primo eram para perguntar quando ele havia chegado e, ocasionalmente, oferecer uma bebida tradicional como gesto simbólico. Fora isso, o primo se isolava dos demais homens durante a preparação dos animais, não se misturava e ainda era o primeiro a partir depois da festa — enquanto o jovem era implorado a ficar para as últimas limpezas.


Quando ele tentou questionar essa desigualdade à esposa, perguntando por que era tratado de forma tão diferente em comparação ao primo, ela ficou visivelmente triste e indignada com a situação.


Esse relato expõe o peso das desigualdades dentro das relações familiares, especialmente quando baseadas em status econômico. Revela também como o silêncio e a submissão, muitas vezes impostos, podem esconder feridas profundas que afastam vínculos e machucam quem só deseja pertencer.





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