"Tiros, Feridos e Revolta: Polícia Ataca Caravana de Mondlane e Governo Nega Repressão!"

 Moçambique:🇲🇿

Polícia diz que disparos contra caravana de Mondlane visaram "dispersar multidão”.



Em Moçambique, a polícia negou que tenha havido um "atentado" contra Venâncio Mondlane, mas admitiu que houve disparos contra a caravana do ex-candidato presidencial, na quarta-feira, e que estes visavam "dispersar a multidão" para evitar que as pessoas se dirigissem ao local onde decorria a cerimónia de assinatura do acordo político em Maputo.


A polícia moçambicana disse que os disparos contra a caravana de Venâncio Mondlane, na quarta-feira, visavam dispersar a multidão. Leonel Muchina, porta-voz da polícia na capital, explicou que se pretendeu evitar que as pessoas se dirigissem ao local onde decorria a cerimónia de assinatura do acordo político, em Maputo.


“Nós salvaguardámos o direito de circulação das pessoas. Entendemos que aquele aglomerado não devia ali existir e isto passa pela comunicação que tem que haver com antecedência para não incorrermos em situações como estas. Voltamos a reiterar que não houve atentado contra a vida ou contra a integridade física daquele cidadão como se faz menção em vários comunicados e outras plataformas digitais”, declarou o porta-voz da polícia.


Leonel Muchina acrescentou que decorria, na mesma altura, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, a assinatura do acordo e que “houve necessidade de dispersão de massas, pelos meios convencionais, que é o gás lacrimogéneo”, para evitar que a multidão fosse para o centro de conferências.


O porta-voz da polícia admitiu que várias pessoas ficaram feridas. “Não é nosso desejo que as pessoas saiam feridas em cenários onde há dispersão de massas porque o nosso interesse é que não haja danos humanos nem danos materiais face a essas situações”, acrescentou.


Na quarta-feira, a caravana do ex-candidato presidencial foi alvo de disparos da polícia no bairro de Magoanine, nos subúrbios de Maputo, o que provocou uma onda de novos protestos no dia em que no centro internacional de Conferências Joaquim Chissano, nove partidos e o Presidente da República, Daniel Chapo, assinavam um acordo para tentar acabar com a crise pós-eleitoral.


Na quarta-feira, ao microfone da RFI, os manifestantes denunciaram a tentativa de assassínio de Venâncio Mondlane e queixaram-se que “o povo moçambicano está na miséria e cansado de trabalhar com salário mínimo de 7.500 Meticais, quando o saco de arroz custa 2.000 meticais”.


Abdul Nariz, da equipa de comunicação do ex-candidato presidencial, contava à Agência Lusa que a comitiva foi surpreendida “quando um grupo da polícia fortemente armado começou a disparar directamente contra a viatura onde estava Venâncio Mondlane”.


A ONG Plataforma Decide avançou que, pelo menos, 16 pessoas, incluindo duas crianças, foram baleadas entre os apoiantes que acompanhavam Mondlane na passeata.


Em protesto contra os disparos à caravana, populares bloquearam a Julius Nyerere, uma das principais avenidas de acesso a diversos bairros dos subúrbios de Maputo.


Moçambique vive desde Outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações contra os resultados eleitorais de 09 de Outubro, que deram vitória a Daniel Chapo. Os protestos estão agora em pequena escala, com as pessoas a queixarem-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.


Desde Outubro, morreram, pelo menos, 353 pessoas, na repressão aos protestos, de acordo com a Plataforma Decide.

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