O medo de entrar no Hospital Provincial da Matola…
Acompanhei, pela televisão, a história de uma mulher que saiu do hospital provincial da Matola de colo vazio. A mulher deu parto e viu a sua bebé bem viva. No entanto, depois foi informada de que a sua bebé tinha morrido. E como prenda hospitalar: saiu de lá com o útero arrancado e sem o cadáver da sua bebé.
Doeu-me imenso acompanhar cada palavra, cada suspiro, cada relato daquele pobre mãe. Ela manda por aí totalmente órfã de tudo: órfã da sua bebé, órfã do seu útero desfeito naquele hospital e órfã da alegria de ser mulher.
Há muitos relatos sobre esse hospital. As mães grávidas quando dão entrada nesse hospital são obrigadas a irem com as pontas das capulanas grávidas de notas de dinheiro e saber sorrir para todas as parteiras. As mães safam-se assim para saírem de lá com os seus filhos aos colos.
Já acompanhei um outro caso de uma mãe grávida que deu entrada naquele hospital. Essa mãe perdeu o seu bebé sentada nos bancos de espera, porque as mãos das parteiras, que deviam ajudá-la, estavam ocupadas com o parto das pontas da capulana. E as pontas estavam vazias, nem uma quinhenta!
E o sangue também tem sido um bom negócio naquele hospital. Os técnicos de laboratório tropeçam nos corredores atrás de familiares de pacientes com pouco sangue e divulgam os pacotes de sangue que têm à venda; há vezes que até fazem promoções de saquetas de sangue.
Conheço um fulano, que há dois anos, plantava-se todas as manhãs nesse hospital para tratar do gesso. Mas nunca era atendido. O fulano divertia-se nas filas colorindo o seu gesso com um marcador e frases “Deus cura tudo; tudo passa”. Mas, nunca chegou a ser observado por um especialista. Apenas foi arrancado o gesso e mandado para casa; graças a um amigo médico não teve o braço torto por toda a vida.... há muitos relatos sobre esse hospital.

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